‘The meagre company’
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O que um escritor pode aprender com Van Gogh?

Li, faz alguns meses, as cartas de Van Gogh a seu irmão Theo. Há livros assim, que você mantém na biblioteca, reencontra às vezes, e um dia, por motivos inexplicáveis, toma a decisão de ler. Quantos outros livros não me aguardam, ansiosos? Mas não bastasse o atraso na leitura, deixei minhas anotações de lado —…

sedução do início
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A sedução do início em Hermann Broch

Talvez seja impossível desenvolver uma teoria dos inícios na obra de ficção, dificuldade decorrente do caráter multíplice que marca os começos — mas podemos descobrir os elementos que compõem a sedução do início. Um bom começo pode não só empolgar o leitor, mas prendê-lo numa rede de interrogações e inquietudes — inocular em seu coração…

goya
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“Melhores crônicas” sem nenhum critério

Ganhei de certo amigo, faz alguns dias, uma dessas coletâneas que prometem entregar ao leitor “os melhores poemas” de fulano, “as melhores crônicas” de beltrano e “os melhores contos” de sicrano. Mantenho saudável distância desse tipo de livro, pois sei que, por trás do atrativo de oferecer ao leitor a síntese perfeita e salvadora —…

ovidio
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Ovídio e suas lamúrias

Quando Ovídio foi condenado pelo imperador Augusto ao exílio no litoral do Mar Negro, de lá enviou a Roma duas obras — Tristia (Cantos tristes) e Epistulae ex Ponto (Cartas Pônticas) — cujo objetivo era comover familiares, amigos e o imperador, de maneira que Augusto lhe permitisse viver o degredo em local mais aprazível, e os…

reflexões sobre o escritor
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3 reflexões sobre o escritor

No decorrer da última semana, desenvolvi estas reflexões sobre o escritor e o duro trabalho de escrever.   1. A recusa da impaciência Colocar-se inteiro, estar completamente presente, dedicar todo o esforço a cada tarefa — não há nada mais difícil para o escritor, principalmente nos dias de hoje, em que nossa atenção é requisitada…

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5 razões para cursar minha Oficina de Escrita Criativa

Nenhuma Oficina de Escrita Criativa tem o poder de transformar o aluno, num passe de mágica, em escritor. Nenhuma Oficina de Escrita Criativa pode conceder ao aluno, em poucas semanas, uma capacidade única para se expressar. Dizendo de outra forma, nenhum curso pode fazer com que o aluno ingresse, de repente, numa categoria iluminada de…

meus 10 textos mais lidos em 2015
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Meus 10 textos mais lidos em 2015

Além dos meus 10 textos mais lidos em 2015, quero salientar alguns dos motivos que fizeram deste ano um período agradavelmente movimentado: a) Inaugurei neste site a esperada área de cursos — e o primeiro deles, a versão on-line da Oficina de Escrita Criativa que realizo em São Paulo, é um sucesso, com novas turmas…

“tudo o que pode ser dito, pode ser dito claramente; mas nem tudo o que pode ser entendido pode ser dito.” — Ludwig Wittgenstein
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A linguagem não tem limites?

Parcela dos escritores contemporâneos acredita que a linguagem não tem limites, que é possível dizer tudo, bastando, com relativo esforço, realizar algumas acrobacias linguísticas. Trata-se de um tipo de soberba, sem dúvida, acreditar que a linguagem é completamente maleável, submissa e pode ser utilizada para expressar, sempre com sucesso, qualquer idéia, qualquer cena, qualquer estado…

escrita, vocação e rotina
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Escrita, vocação e rotina

Escrita, vocação e rotina são combináveis? Existe realmente um vínculo entre o trabalho do escritor, sua vocação e a rotina? Essas questões surgiram de forma inesperada — por uma via cujo progresso vale a pena recuperar. Durante o II Encontro de Escritores na Virgínia, o poeta Érico Nogueira elogiou o estilo de Gilberto Freyre, salientando…

Como ter idéias e criar histórias
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Como ter idéias e criar histórias

Jovens escritores sempre desejam saber como ter idéias e criar histórias. Como podem conseguir idéias para novas histórias e, principalmente, de que maneira desenvolvê-las, transformar um tema ou um personagem numa boa história. Para a primeira pergunta — como ter idéias — há 3 respostas que se complementam: 1) Curiosidade, estar atento aos elementos do…

escrever é um ato de coragem
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Por que escrever é um ato de coragem?

A história do romancista John Kennedy Toole, autor de A Confederacy of Dunces, mostra que escrever é um ato de coragem, em vários sentidos. Hoje apregoa-se, de forma exagerada, a coragem do escritor que rompe com as formas tradicionais de narrativa e transforma seu texto num labirinto cujo objetivo, quase sempre, se resume a oprimir…

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Lobão — processo criativo, rigor e misericórdia

Nas reflexões que desenvolvi em “Qual o caminho para a criatividade?”, analiso alguns aspectos do surgimento das idéias — ou do que chamamos inspiração. Quem leu o artigo deve se lembrar dos exemplos que retiro de dois ensaios do poeta Wystan Hugh Auden, por meio dos quais mostro como cada escritor tem sua própria história…

solidão e estoicismo
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Solidão e estoicismo — fragmentos de um escritor

Sempre que releio o ensaio “Fragmento de um diário do homem”, de Gaston Bachelard (em O Direito de Sonhar), encontro intuições que talvez sejam, como afirma o autor, próprias do exercício de filosofar, mas que, para mim, resumem a necessidade de solidão e estoicismo que caracteriza o exercício da escrita, a vida de quem se…

Jacob Burckhardt
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Jacob Burckhardt e a democracia dos medíocres

Ler as Cartas de Jacob Burckhardt, escritas entre 1838 e 1897, é conhecer um homem completo. Ele não foi apenas o compulsador de arquivos empoeirados, trabalho cuja importância aprendeu com Leopold von Ranke, mas também desenhista, compositor, pianista, amante dos vinhos e da ópera, principalmente de Verdi, excelente observador dos costumes e eterno insatisfeito consigo…

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“Crítica, Literatura e Narratofobia” — um novo livro

Meu livro Crítica, Literatura e Narratofobia, que será lançado entre o final deste mês e o início de dezembro, reúne mais de dez anos de crítica literária. Publicado pela Vide Editorial, ele não faz parte da série em que releio os prosadores da literatura brasileira — da qual já publiquei Muita retórica — Pouca literatura…

escrita e criatividade
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6 dicas de escrita e criatividade

Desenvolvi, em meu último texto, algumas reflexões a respeito do caminho que leva à criatividade. E mostrei como o treino constante de uma nova forma de olhar, para si mesmo e para a realidade, faz o escritor abandonar suas rotinas mentais, o que lhe permite estabelecer novas conexões — algumas vezes, entre elementos que, antes,…

É preciso que o escritor esteja, antes de tudo, aberto à vida, que ele se mantenha em estado de permanente curiosidade.
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Qual o caminho para a criatividade?

Quando converso com meus alunos ou com jovens escritores, o mesmo questionamento se repete: como as idéias surgem, como a inspiração funciona, como é possível ter sempre novas idéias para novos textos? Enfim, qual o caminho para a criatividade? As questões que permeiam a criatividade ainda estão distantes de uma explicação científica. Sabemos como as…

os que nunca morrerão
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Os que nunca morrerão

Não me recordo de tê-la visto um único dia sem o vestido preto. Altiva, digna, afável mas imperiosa, o luto era seu emblema, o pendão de nobreza por meio do qual ostentava seus valores — os que nunca morrerão. Ela não se escandalizava por saber que era próprio da maioria corromper-se, mentir, difamar. Não lhe…

Paula Fox
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Paula Fox e a morte da civilidade

Além do estilo, o que mais impressiona em Desesperados, de Paula Fox, é a morte da civilidade. E como a história se assemelha ao que presenciamos em nosso cotidiano. Acompanhar as descrições do Brooklyn, na Nova York da década de 1960 (o livro foi lançado em 1970), e dos personagens que se sentem restringidos em…