Crítica Literária

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10 livros que mudaram minha vida

De Euclides da Cunha, 1. Os Sertões foi o primeiro livro que estudei com o olhar de leitor malicioso — não no sentido de “má índole”, o mais comum entre nós, infelizmente, mas no sentido de “astúcia”, “sagacidade”. A motivação veio de Paulo Vieira, meu professor de português no velho Instituto de Educação, em Jundiaí….

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Oswald de Andrade: galimatias, nada mais

Publicado em 1933, Serafim Ponte Grande é a tentativa de levar ao paroxismo o que Oswald de Andrade fizera em Memórias Sentimentais de João Miramar, de 1924. A receita da prosa experimental está completa nas aventuras do funcionário público paulistano: narrativa fragmentada, mudança abrupta de narradores, mescla de gêneros literários, automatismo, neologismos, subversão da linguagem…

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“Ariana” — ou a liberdade para contar uma boa história

Num mercado editorial em que predominam narrativas fragmentadas, herméticas ou repletas de nonsense, encontrar uma boa história tornou-se exercício cansativo, desgastante. Não me refiro ao romancinho água-com-açúcar ou ao thriller feito de encomenda para se tornar best-seller, mas a histórias que não tratam o leitor como idiota ou querem transformá-lo, à força, num decifrador de…

Humberto de Campos ama a própria voz
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Humberto de Campos ama a própria voz, não a literatura

Humberto de Campos é desses raros polígrafos da literatura brasileira — semelhante a Coelho Neto no volume de escritos e no esquecimento a que foi condenado. Ambos, aliás, maranhenses. Contista, cronista, biógrafo, poeta, crítico e memorialista, sua obra não recebeu leitura e julgamento abrangentes, muito menos definitivos. O que também não acontece nesta análise, restrita…

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Em busca do único livro

Recordar nosso passado não pode ser um exercício de idealização. O diálogo com o eu que nos observa e, ao mesmo tempo, envolto pela neblina do tempo, nos dá as costas e caminha de volta à infância, precisa estar impregnado daquela tensão que ressurge sempre que nos debruçamos sobre o poço da verdade. É o…

G. K. Chesterton
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G. K. Chesterton e o romance

O renascimento brasileiro de G. K. Chesterton é um fenômeno que comemoro todos os dias. Novos livros chegam semestralmente ao mercado nos últimos três anos — e a Editora Ecclesiae acaba de publicar, em um único volume, a tradução de Mateus Leme para O defensor e Tipos variados. Além disso, Wisdom and Innocence — A…

Ribeiro Couto e seu romancinho bem-intencionado
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Ribeiro Couto e seu romancinho bem-intencionado

Escrever um romance não exige apenas ânimo. Essa prova de resistência não requer somente fôlego, mas disciplina e técnica. Refiro-me, é claro, a verdadeiros romances — e não a esses contos ampliados que algumas editoras publicam em papel de alta gramatura e com letras grandes, do contrário o texto caberia num folheto de cordel. Não…

como nasce um personagem
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Como nasce um personagem?

Na entrevista que A. S. Byatt concede a Ramona Koval — em Conversas com escritores — podemos entender, ainda que parcialmente, como nasce um personagem. Há conflitos na maneira de os escritores tratarem a questão. Mas hoje parece preponderar, em certos meios, a idéia de que a literatura, não só o personagem, nasce de uma…

Machado de Assis
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Machado de Assis e o repulsivo herói do nosso tempo

No conto “Evolução”, de Machado de Assis, publicado em Relíquias da Casa Velha (1906), Inácio, o narrador, fala sobre sua amizade com Benedito. Movido por um “sentimento de compostura” — que “toda a gente discreta apreciará” —, o narrador oculta os sobrenomes, seu e do amigo, mas o faz principalmente para obedecer à intenção machadiana: apresentar…

ler é gratificante
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Por que ler é gratificante?

Ler é gratificante não porque vivenciamos uma experiência estética, mas, principalmente, porque nos permite um tipo de identificação. Quando o personagem vive um problema semelhante ao nosso, quando sofre sob o peso de emoções semelhantes às nossas, sua resposta, sua atitude, suas conclusões, tudo nos inspira de alguma forma, nos dá segurança, permite que vejamos…

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4 escritores que precisam ser relidos

À medida que eu escrevia os ensaios de Muita retórica — Pouca literatura, minha perplexidade diante dos bons prosadores que temos, infelizmente esquecidos, só aumentava. Hoje quero salientar, dentre os nomes que analiso em meu livro, 4 escritores que precisam ser relidos. 1. Agora que a Academia Maranhense de Letras relançou, em 4 volumes, as obras…

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Mais uma bobagem naturalista

A escola de Aluísio Azevedo continuou tendo seguidores no Brasil mesmo depois da Semana de 22. É o caso de Peregrino Júnior e Puçanga, coletânea de narrativas inspiradas na Amazônia: além de mal escrito, o volume não passa de mais uma bobagem naturalista. Publicado em 1929, por um escritor que vivia no Rio de Janeiro,…