Escrita Criativa

Duas formas de amar Stendhal
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Duas formas de amar Stendhal

Leonardo Sciascia e Giuseppe Tomasi di Lampedusa representam duas formas de amar Stendhal. Não deixa de ser curioso que esses dois sicilianos, diferentes em tudo — origem social, preferência política, estilo — tenham admirado o mesmo escritor. Mas não há explicações racionais para o amor. Lampedusa tinha predileção pela França. Segundo um de seus biógrafos, David Gilmour, o…

escritor diante da vida
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Van Gogh e o escritor diante da vida

Todo artista descobre, por meio da dedicação constante, graças à insistência com que se empenha diariamente, um método de trabalho. Essa técnica, essa forma de proceder, não é concedida ao escritor como um dom mediúnico, mas pressupõe esforço, empenho. Ou seja, anterior ao método de trabalho, há, necessariamente, um determinado comportamento do escritor diante da…

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O que um escritor pode aprender com Van Gogh?

Li, faz alguns meses, as cartas de Van Gogh a seu irmão Theo. Há livros assim, que você mantém na biblioteca, reencontra às vezes, e um dia, por motivos inexplicáveis, toma a decisão de ler. Quantos outros livros não me aguardam, ansiosos? Mas não bastasse o atraso na leitura, deixei minhas anotações de lado —…

sedução do início
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A sedução do início em Hermann Broch

Talvez seja impossível desenvolver uma teoria dos inícios na obra de ficção, dificuldade decorrente do caráter multíplice que marca os começos — mas podemos descobrir os elementos que compõem a sedução do início. Um bom começo pode não só empolgar o leitor, mas prendê-lo numa rede de interrogações e inquietudes — inocular em seu coração…

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3 reflexões sobre o escritor

No decorrer da última semana, desenvolvi estas reflexões sobre o escritor e o duro trabalho de escrever.   1. A recusa da impaciência Colocar-se inteiro, estar completamente presente, dedicar todo o esforço a cada tarefa — não há nada mais difícil para o escritor, principalmente nos dias de hoje, em que nossa atenção é requisitada…

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A linguagem não tem limites?

Parcela dos escritores contemporâneos acredita que a linguagem não tem limites, que é possível dizer tudo, bastando, com relativo esforço, realizar algumas acrobacias linguísticas. Trata-se de um tipo de soberba, sem dúvida, acreditar que a linguagem é completamente maleável, submissa e pode ser utilizada para expressar, sempre com sucesso, qualquer idéia, qualquer cena, qualquer estado…

escrita, vocação e rotina
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Escrita, vocação e rotina

Escrita, vocação e rotina são combináveis? Existe realmente um vínculo entre o trabalho do escritor, sua vocação e a rotina? Essas questões surgiram de forma inesperada — por uma via cujo progresso vale a pena recuperar. Durante o II Encontro de Escritores na Virgínia, o poeta Érico Nogueira elogiou o estilo de Gilberto Freyre, salientando…

escrever é um ato de coragem
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Por que escrever é um ato de coragem?

A história do romancista John Kennedy Toole, autor de A Confederacy of Dunces, mostra que escrever é um ato de coragem, em vários sentidos. Hoje apregoa-se, de forma exagerada, a coragem do escritor que rompe com as formas tradicionais de narrativa e transforma seu texto num labirinto cujo objetivo, quase sempre, se resume a oprimir…

escrita e criatividade
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6 dicas de escrita e criatividade

Desenvolvi, em meu último texto, algumas reflexões a respeito do caminho que leva à criatividade. E mostrei como o treino constante de uma nova forma de olhar, para si mesmo e para a realidade, faz o escritor abandonar suas rotinas mentais, o que lhe permite estabelecer novas conexões — algumas vezes, entre elementos que, antes,…

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Qual o caminho para a criatividade?

Quando converso com meus alunos ou com jovens escritores, o mesmo questionamento se repete: como as idéias surgem, como a inspiração funciona, como é possível ter sempre novas idéias para novos textos? Enfim, qual o caminho para a criatividade? As questões que permeiam a criatividade ainda estão distantes de uma explicação científica. Sabemos como as…

os que nunca morrerão
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Os que nunca morrerão

Não me recordo de tê-la visto um único dia sem o vestido preto. Altiva, digna, afável mas imperiosa, o luto era seu emblema, o pendão de nobreza por meio do qual ostentava seus valores — os que nunca morrerão. Ela não se escandalizava por saber que era próprio da maioria corromper-se, mentir, difamar. Não lhe…

poema da língua rodrigo gurgel
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O poema da língua

A lousa estava à nossa frente, mas estendia-se, negra, por uma das paredes laterais, oposta à janela. As carteiras, com dois lugares — e o corredor estreito entre elas. A mesa de madeira, pequena, lá na frente, sempre coberta de giz. A sala, nos fundos de um antigo imóvel. E a professora: mignon, solene, cabelos…

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Estilo e autoconsciência

Como afirmei em meu último artigo, a força de expressão do escritor depende da sua autoconsciência. De fato, em literatura, estilo e autoconsciência são inseparáveis. O processo para se conquistar autoconsciência — e, a partir dela, elaborar um estilo literário — não tem fim. Quando ele começa, também se renova e se aprofunda constantemente dentro…

encontrar sua própria voz
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Como encontrar sua própria voz?

Quando afirmo que o escritor precisa encontrar sua própria voz, quero dizer que, antes de tudo, ele deve encontrar sua própria consciência. Não se trata da “consciência” enquanto capacidade para fazer julgamentos morais dos nossos atos. Trata-se, antes, daquela distância que devemos tomar em relação às atitudes, às nossas decisões. Ou seja, trata-se de autoconsciência…