Rodrigo Gurgel

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“Cuando las cosas acaban ya tienen su número y el mundo depende entonces de sus relatores, pero por poco tiempo y no enteramente, nunca se sale de la sombra del todo, los otros nunca se acaban y siempre hay alguien para quien se encierra un misterio. Ese niño no sabrá nunca lo que ha sucedido,…

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“Narrar no consiste en copiar lo real, sino en inventarlo, en construir imágenes históricamente verosímiles de ese material privado de signo que, gracias a su transformación por medio de la construcción narrativa, podrá al fin, incorporado en una coherencia nueva, coloridamente, significar.” – Juan José Saer (1937-2005)

Lendo o blog do Lucas Murtinho, descobri a entrevista que o escritor Antonio Fernando Borges concedeu a Pedro Sette Câmara. Faço questão de divulgar as respostas do Borges aqui, não só pelo fato de concordar com muitas das suas idéias, mas porque elas sempre instigam, provocam. Para confirmar o que digo, basta, por exemplo, ler…

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Efêmera felicidade Na edição deste mês do Rascunho, escrevo sobre o romance A trégua, de Mario Benedetti (foto). Um belo romance, sob vários aspectos, do qual recomendo a leitura.

Não é um pesadelo A situação absurda, na qual o desfecho favorável torna-se cada vez mais impossível, não é privilégio da literatura. O cotidiano está repleto de acontecimentos destituídos de sentido, verdadeiros despautérios. Talvez por essa razão as obras de Franz Kafka – escritor judeu tcheco que escrevia em alemão, falecido aos 40 anos, em…

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Blanca Varela Vencedora do Prêmio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, a poeta peruana Blanca Varela (foto) talvez nem chegue a ter consciência de que foi a ganhadora, pois, infelizmente, sofreu um acidente vascular cerebral há alguns meses. Blanca recebeu, em 2001, o Prêmio Octavio Paz de Poesia e Ensaio, e, em 2006, o Prêmio Cidade…

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Bungaku! Aceitei, com prazer, o convite para participar de um blog – Bungaku! – dedicado à literatura do Japão. O espaço foi idéia do Prof. Dr. Tsuyoshi Takamatsu e de sua aluna, Sara F. Costa, ambos do Centro de Estudos Orientais da Universidade do Minho, em Portugal. Minha primeira contribuição foi uma resenha sobre o…

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Adeus, maestro As seis suites de Bach para cello, interpretadas por Mstislav Rostropovich (foto), permanecerão como um dos recursos que utilizo para amenizar a dor, o desapontamento, as angústias. Para iluminar os dias escuros e tristes. Infelizmente falecido hoje, mais que um violoncelista genial, Rostropovich foi um verdadeiro humanista.

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O silêncio impossível Depois de ler Zama, um dos romances que mais me impressionaram nos últimos anos, li, também do argentino Antonio Di Benedetto (foto), O silencieiro, sobre o qual escrevi na edição deste mês do jornal Rascunho. Um trecho de minha resenha: “A cidade realmente conspira contra o homem. As derivações da tecnologia fugiram,…

Pernetas A manhã prometia o de sempre: caminhar até o metrô, ser prensado pela massa de suor, descer na estação, enfrentar duas filas para transpor as escadas rolantes, andar três quarteirões, fechar-se no escritório e deixar que o tempo passasse entre uma assinatura e outra. Do lado de fora do apartamento – banho tomado, barba…

Tempo rápido e tempo lento Elenir Eller é uma educadora de Jundiaí que decidiu começar vida nova no interior de Pernambuco, nas proximidades de um lugar chamado São José. Pode ser São José do Egito, São José da Coroa Grande ou São José do Belmonte, todos municípios de Pernambuco, mas, com sinceridade, não faço a…

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Juan Carlos Onetti O horário de verão terminou, mas os relógios permanecem adiantados uma hora. Sempre que entra na cozinha, olha para o relógio sobre a porta que leva ao quintal e repete o mesmo esforço de cálculo, submete-se à enfadonha tarefa de subtrair uma hora à marcada pelos ponteiros. Mas não trará a escada…

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Bordado sem risco Na edição deste mês do jornal Rascunho, escrevo sobre o livro mais recente de Autran Dourado (foto), O senhor das horas, publicado pela Editora Rocco.

A primeira mestra À tarde, o sol entrava pela imensa janela da cozinha, explodindo o alumínio das panelas que secavam. A mesa de fórmica, com o tampo verde-claro repleto de triângulos leitosos, era grande demais para o menino que começava a escrever. Minha mãe, de pé, debruçada sobre a mesa, prepara a massa do pão…

Ecos da pequena burguesia Analiso, no texto que escrevi para a edição deste mês do jornal Rascunho, a novela Meu marido (Editora Record), da escritora e psicanalista Livia Garcia-Roza.

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O romancista em seu livro Cristóbal Alliende, o autor do texto a seguir, nasceu em München, Alemanha, em 1972. Viveu a maior parte do tempo em Santiago, Chile, onde estudou literatura hispânica na Universidade do Chile. En 1992 publicou o livro de poemas Melodías en claustro, sob o pseudônimo de Samuel Solln. Até 2000, trabalhou…

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A poesia está em tudo Para Manuel Bandeira (foto), a poesia pode ser encontrada “em tudo – tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas”. É sobre esse incrível poeta brasileiro, um de meus preferidos, e suas crônicas, republicadas pela Editora Cosac Naify, que escrevo na edição deste mês do…

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Hora de estrellas El silencio redondo de la nochesobre el pentagramadel infinito. Yo me salgo desnudo a la calle,maduro de versosperdidos.Lo negro, acribilladopor el canto del grillo,tiene ese fuego fatuo,muerto,del sonido.Esa luz musicalque percibeel espíritu. Los esqueletos de mil mariposasduermen en mi recinto. Hay una juventud de brisas locassobre el río. Federico García Lorca

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Amor aos livros Vale a pena ler a matéria do El País dedicada à brasileira Beatriz de Moura (foto acima) e sua estupenda Tusquets Editores. Aqui, apenas um dos melhores trechos: “Quería leerlo todo, de modo que leí de la manera más caótica que pueda imaginarse, ficción de preferencia. Podía pasar con una naturalidad pasmosa…

O anti-romance Em meu texto deste mês para o jornal Rascunho, escrevo sobre O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos, o romance brasileiro por excelência, símbolo perfeito deste país, “réplica nova de um reino velho”, para usar a frase modelar de Raymundo Faoro.