Meus 10 textos mais lidos em 2015

Além dos meus 10 textos mais lidos em 2015, quero salientar alguns dos motivos que fizeram deste ano um período agradavelmente movimentado:

a) Inaugurei neste site a esperada área de cursos — e o primeiro deles, a versão on-line da Oficina de Escrita Criativa que realizo em São Paulo, é um sucesso, com novas turmas previstas para 2016.

b) Lancei um novo livro pela Vide Editorial — Crítica, Literatura e Narratofobia — e assinei contrato com a Editora Record, para a qual escrevo um trabalho que certamente surpreenderá meus leitores.

c) Em março e setembro estive, respectivamente, em Manaus e Brasília para ministrar uma versão concentrada de minha Oficina de Escrita Criativa.

d) Fui o curador, durante o segundo semestre, do 1º Ciclo de Palestras Santa Generosa, que reuniu, semanalmente, aqui em São Paulo, vários intelectuais, todos na contramão do pensamento esquerdista.

e) Em outubro, participei da Flica — Festa Literária Internacional da Bahia, em Cachoeira, falando sobre o tema “Entre críticos, parvos e professores”, ao lado do poeta Silvério Duque e com mediação do crítico literário Cristiano Ramos.

f) Encerrei o ano atendendo ao convite de Olavo de Carvalho para participar do 2º Encontro de Escritores Brasileiros na Virgínia, ao lado de Érico Nogueira, Paulo Briguet, Yuri Vieira e Carlos Nadalim.

Foi um ano especial, como vocês podem perceber.

Mas vamos aos meus 10 textos mais lidos em 2015:

1) “Ler como um escritor”: passo a passo, você descortina as intenções do autor, seu vocabulário, suas construções frasais, sua forma de demorar sobre um tema ou de acelerar a narrativa, seu entendimento do que é humano.

2) “10 livros que mudaram minha vida”: em algum momento da década de 1970 comprei Raízes da Criação Literária, de Edmund Wilson. Foi meu primeiro contato com uma crítica literária consistente, jamais sufocada pela erudição. Ter lido Wilson vacinou-me contra o estruturalismo ou a semiótica.meus 10 textos mais lidos em 2015

 

3) “10 motivos para escrever um diário”: que o diário não seja comum na cultura brasileira, isso mostra o quanto não temos o hábito de refletir, de dar primazia à vida interior. O brasileiro ainda acredita que apenas intelectuais referendados pela mídia podem refletir, opinar. Introjetou esse complexo de inferioridade e teme realizar, até mesmo de forma privada, o julgamento do seu meio e do seu próprio eu.

4) “Por que escrever não é algo simples?”: décadas de submissão ao socioconstrutivismo criaram a ilusão de que a escrita equivale a um gesto ou a um sinal de trânsito — equiparação que só pode existir no cérebro de pedagogos que, antes de serem educadores, são ideólogos.

5) “12 conselhos para o escritor principiante”: pensei nestes conselhos quando um amigo me disse que Ray Bradbury — o conhecido autor de ficção científica, famoso por seu romance Fahrenheit 451 — mantinha, no local de trabalho, um aviso: “Não pense! Faça!”.

6) “4 escritores que precisam ser relidos”: quatro ótimos prosadores da literatura brasileira, infelizmente menosprezados.

7) “Machado de Assis e o repulsivo herói do nosso tempo”: minha análise do conto “Evolução”, de Machado de Assis, publicado em Relíquias da Casa Velha (1906).

8) “Como ter idéias e criar histórias”: escrever requer persistência, coragem. O trabalho do escritor não se resume a, simplesmente, escrever. Antes, é preciso permitir que o tema, a idéia central, a personagem ganhe vida dentro de você.

9) “A falha do romance brasileiro (segundo Manuel Bandeira e Nelson Ascher)”: onde estão os nossos romances “espessos, cerrados, florestais”? “Não há nenhum”, responde Bandeira, “ainda que péssimo”.

10) “G. K. Chesterton e o romance”: para Chesterton, “nunca haverá nenhuma crítica genuína ao romance até que nos demos conta do fato de que o romance não está do lado de fora da vida, mas absolutamente em seu centro”.



'Meus 10 textos mais lidos em 2015' have 5 comments

  1. 30 dezembro, 2015 @ 20:55 Mateus Pool

    De todos esses textos que tornaram meu ano de 2015 um ano de descobertas preciosas, o que mais me marcou foi o nono, sobre a falha do romance brasileiro. Seguindo os conselhos do Olavo, iniciei há pouco mais de um ano um “assalto” à literatura nacional, valendo-me das suas indicações no jornal Rascunho. Nunca nenhum livro me agradou mais do que O Tempo e o Vento. Gostaria de encontrar mais livros do tipo, mas não os acho. E enquanto não houver outros de igual magnitude e impacto, sinto como se a nossa história se esfarelasse progressivamente sem um registro digno, não de tipo historiográfico, mas de outro, mais poderoso: o literário. De qualquer forma, reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo; só gostaria de saber se algum jovem escritor promissor se ocupa dessa questão, desse sonho, querendo reservar seus anos de maturidade para escrever algo que satisfaça à “finlandesa” de Ascher. Feliz 2016, Rodrigo.

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    • 28 janeiro, 2016 @ 19:29 Rodrigo Gurgel

      Desconheço se algum jovem escritor está preocupado com isso, Mateus. De qualquer forma, se nenhum estiver, só posso dizer que é uma pena. Um abraço e feliz 2016.

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  2. 9 fevereiro, 2016 @ 21:53 Ricardo

    Caro Rodrigo, ainda estou me ambientando ao seu conteúdo e visão, de forma que praticamente não o conheço, mas tem se me despertado curiosidade e interesse várias coisas que tenho encontrado a seu respeito. Nesse post em especifico, me chama a atenção quando você diz estar vacinado contra a semiótica. Apesar de já ter entendido sua posição sobre o estruturalismo (no qual surge a semiótica de Saussure) e tédio a Roland Barthes (renovador do mesmo), será que poderia comentar algo mais sobre qual seria o problema, ou o prejuízo, que você enxerga na semiótica para beneficiar-se de estar vacinado contra ela? Pergunto isso sem qualquer intenção apaixonada ou de, como diz minha filha, “causar”, mas por estar iniciando algumas leituras em semiótica – após ter visitado alguns textos de Barthes, que no meu caso despertou interesse – com a intenção, que agora me parece mal direcionada, de tornar mais consciente a exatamente o processo de escrita e construção…

    Pode acrescentar algo, sua opinião, um link, uma sugestão de estudo que esclareça melhor essa relação negativa entre a escrita e a semiótica?

    Obrigado Rodrigo.

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    • 25 fevereiro, 2016 @ 12:28 Rodrigo Gurgel

      Olá, Ricardo. Procure ler Thomas Pavel (“A miragem lingüística”) e José Guilherme Merquior. UM abraço.

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      • 26 fevereiro, 2016 @ 11:54 Ricardo

        Obrigado pela sugestão Rodrigo. Vou me informar!
        Um abraço.

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