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3 reflexões sobre o escritor

No decorrer da última semana, desenvolvi estas reflexões sobre o escritor e o duro trabalho de escrever.   1. A recusa da impaciência Colocar-se inteiro, estar completamente presente, dedicar todo o esforço a cada tarefa — não há nada mais difícil para o escritor, principalmente nos dias de hoje, em que nossa atenção é requisitada…

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A linguagem não tem limites?

Parcela dos escritores contemporâneos acredita que a linguagem não tem limites, que é possível dizer tudo, bastando, com relativo esforço, realizar algumas acrobacias linguísticas. Trata-se de um tipo de soberba, sem dúvida, acreditar que a linguagem é completamente maleável, submissa e pode ser utilizada para expressar, sempre com sucesso, qualquer idéia, qualquer cena, qualquer estado…

escrever é um ato de coragem
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Por que escrever é um ato de coragem?

A história do romancista John Kennedy Toole, autor de A Confederacy of Dunces, mostra que escrever é um ato de coragem, em vários sentidos. Hoje apregoa-se, de forma exagerada, a coragem do escritor que rompe com as formas tradicionais de narrativa e transforma seu texto num labirinto cujo objetivo, quase sempre, se resume a oprimir…

Jacob Burckhardt
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Jacob Burckhardt e a democracia dos medíocres

Ler as Cartas de Jacob Burckhardt, escritas entre 1838 e 1897, é conhecer um homem completo. Ele não foi apenas o compulsador de arquivos empoeirados, trabalho cuja importância aprendeu com Leopold von Ranke, mas também desenhista, compositor, pianista, amante dos vinhos e da ópera, principalmente de Verdi, excelente observador dos costumes e eterno insatisfeito consigo…

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Qual o caminho para a criatividade?

Quando converso com meus alunos ou com jovens escritores, o mesmo questionamento se repete: como as idéias surgem, como a inspiração funciona, como é possível ter sempre novas idéias para novos textos? Enfim, qual o caminho para a criatividade? As questões que permeiam a criatividade ainda estão distantes de uma explicação científica. Sabemos como as…

os que nunca morrerão
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Os que nunca morrerão

Não me recordo de tê-la visto um único dia sem o vestido preto. Altiva, digna, afável mas imperiosa, o luto era seu emblema, o pendão de nobreza por meio do qual ostentava seus valores — os que nunca morrerão. Ela não se escandalizava por saber que era próprio da maioria corromper-se, mentir, difamar. Não lhe…

poema da língua rodrigo gurgel
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O poema da língua

A lousa estava à nossa frente, mas estendia-se, negra, por uma das paredes laterais, oposta à janela. As carteiras, com dois lugares — e o corredor estreito entre elas. A mesa de madeira, pequena, lá na frente, sempre coberta de giz. A sala, nos fundos de um antigo imóvel. E a professora: mignon, solene, cabelos…

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Cinema e literatura

Voltei a pensar nas possíveis conjunções entre cinema e literatura quando meu amigo Sérgio de Souza, que mantém o blog “O Camponês”, pediu-me, há algumas semanas, a lista dos meus filmes prediletos. Não consegui, naquela oportunidade, por absoluta falta de tempo, escrever comentários que justificassem minhas escolhas. E também não farei isso aqui. Meu objetivo…

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Estilo e autoconsciência

Como afirmei em meu último artigo, a força de expressão do escritor depende da sua autoconsciência. De fato, em literatura, estilo e autoconsciência são inseparáveis. O processo para se conquistar autoconsciência — e, a partir dela, elaborar um estilo literário — não tem fim. Quando ele começa, também se renova e se aprofunda constantemente dentro…

encontrar sua própria voz
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Como encontrar sua própria voz?

Quando afirmo que o escritor precisa encontrar sua própria voz, quero dizer que, antes de tudo, ele deve encontrar sua própria consciência. Não se trata da “consciência” enquanto capacidade para fazer julgamentos morais dos nossos atos. Trata-se, antes, daquela distância que devemos tomar em relação às atitudes, às nossas decisões. Ou seja, trata-se de autoconsciência…

contos extraordinários rodrigo gurgel
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7 contos extraordinários

Em minha relembrança de alguns contos extraordinários, gostaria de começar por (1) “Eveline”, de James Joyce, narrativa que utilizo em uma de minhas aulas da Oficina de Escrita Criativa. Trata-se de uma narrativa curta, concentrada na personalidade da jovem que, em grande parte do texto, permanece sentada à janela, “a cabeça apoiada na cortina, aspirando…

magia do diálogo
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A magia do diálogo

Costumo insistir, em minha Oficina de Escrita Criativa, sobre a magia do diálogo. Dedico uma aula inteira a esse tema, analisando vários exemplos com meus alunos. O diálogo é a chave da própria vida. Lembro-me, quando menino, de assistir às conversas intermináveis das crianças surdas-mudas de minha escola: nada parecia impedi-las de expressar alegria, consternação,…