Pantomimas no Domingo de Ramos (ou, se preferirem: Para onde vai a Igreja no Brasil?)

Hoje, porta de entrada para a Semana Santa, fui brindado com altas doses de populismo durante a missa. Não, não bastaram os cânticos semelhantes a marchinhas de Carnaval, em alto volume, com os fiéis, empolgados, quase sambando na procissão. O bom padre, aparentemente certo de estar fazendo o melhor, primeiro dispensou-se de pronunciar a homilia, pois, segundo ele, “nada pode substituir o que que cada um sente em seu coração”. Antes do ofertório, contudo, foi enfático ao falar sobre a importância da coleta para a Campanha da Fraternidade – e insistiu que fôssemos “generosos”. No Pai Nosso, inventou um teatrinho alegre, exigindo que todos erguessem a mão direita para o alto – a fim de “segurar na mão de Jesus” – e com a esquerda apertassem com força o ombro do irmão que estivesse ao lado, pois precisamos “demonstrar como somos verdadeiramente unidos” (para minha sorte, a pessoa que estava a meu lado era uma frágil octogenária…). Antes da comunhão, disse que queria ver “todos sorrindo, todos com alegria”, pois ele e os ministros não estavam “dando veneno” às pessoas. E insistiu que devemos sempre recusar a comunhão quando o “padre ou ministro não sorri”. Ainda insatisfeito, recusou-se a dar a bênção final, alegando que, “depois de tantos anos de sacerdócio”, seu “estoque de bênçãos tinha se esgotado” – pelo visto, ele realmente acredita que a bênção é obra pessoal sua, e não fruto da Graça de Deus, da qual ele serve, apenas, como intermediário. E, respondendo ao apelo do padre, a assembleia novamente se transformou num rancho de Carnaval. Parti, então, para casa, em busca do silêncio do meu lar e da homilia de Bento XVI, deixando um padre realizado, certo de ter feito o melhor, não sem antes que ele, sorrindo, feliz, perguntasse a todos, de maneira a finalizar dignamente a celebração: “Até que a missa não demorou muito, né, pessoal?!”. Foram suas últimas e santas palavras.


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'Pantomimas no Domingo de Ramos (ou, se preferirem: Para onde vai a Igreja no Brasil?)' have 2 comments

  1. 2 abril, 2012 @ 1:26 Internautas Missionários

    Que coisa, amigo… sinto muito por meu irmao de ministério… Apesar disso, nao desanime… seu comentário me ajudou no meu exame de consciencia de hoje, sobre como celebrei o mistério de Cristo. Deus te abençoe!

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  2. 2 abril, 2012 @ 12:18 Pedro

    Cruzes! E eu achei que às vezes ia a missas mal celebradas… =(

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