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Machado de Assis
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Machado de Assis e o repulsivo herói do nosso tempo

No conto “Evolução”, de Machado de Assis, publicado em Relíquias da Casa Velha (1906), Inácio, o narrador, fala sobre sua amizade com Benedito. Movido por um “sentimento de compostura” — que “toda a gente discreta apreciará” —, o narrador oculta os sobrenomes, seu e do amigo, mas o faz principalmente para obedecer à intenção machadiana: apresentar…

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A crítica irônica de Augusto Monterroso ao relativismo cognitivo

Quando a realidade se transforma, nas mãos de certo estudioso cínico, num mero texto que pode ser desconstruído, quando querem nos fazer acreditar que a realidade objetiva deve ser continuamente colocada sob suspeita e apenas decodificada ao sabor dos nossos interesses ou intenções pessoais, temos certeza de que penetramos no centro da desonestidade intelectual.É o…

Salvo da banalidade

Escrevo, no Rascunho deste mês, sobre o goiano Hugo de Carvalho Ramos, cujas narrativas (em Tropas e boiadas) estão acima do que se costumou chamar, entre nós, de regionalismo, termo dúbio e sempre aberto a revisões. Impregnados de tom épico, alguns contos parecem nascer de episódios da Chanson de Roland e outras canções de gesta,…

Inglês de Sousa – acima do naturalismo

A coletânea Contos amazônicos reúne a melhor produção do paraense Inglês de Sousa, para fins didáticos classificado, entre as escolas literárias, como naturalista. Contudo, a desdizer tal classificação, trata-se do seu livro menos preso ao naturalismo, apresentando características realistas e, também, fantásticas. Reunidas em 1893, essas narrativas conformam a despedida do autor em relação à…

O riso da dobrez – e outro riso

Presente, passado remoto, futuro e passado próximo se alternam nos dois primeiros parágrafos do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis, para introduzir o leitor na história que só pode ser contada, sem dissimulações, agora (conforme o presente a partir do qual o narrador fala) que os três personagens estão mortos. História de algum…

Pequena joia

A Editora Hedra acaba de preencher uma das deploráveis lacunas culturais do nosso país: lançou um precioso volumezinho, deliciosa coletânea de contos escritos por Hector Hugh Munro, mais conhecido pelo pseudônimo de Saki. Quem ainda não conhece as sátiras deliciosamente ferinas desse autor inglês, nascido na Birmânia, não pode perder tempo. Suas histórias são aulas…