Tagged Crítica literária

Duas formas de amar Stendhal
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Duas formas de amar Stendhal

Leonardo Sciascia e Giuseppe Tomasi di Lampedusa representam duas formas de amar Stendhal. Não deixa de ser curioso que esses dois sicilianos, diferentes em tudo — origem social, preferência política, estilo — tenham admirado o mesmo escritor. Mas não há explicações racionais para o amor. Lampedusa tinha predileção pela França. Segundo um de seus biógrafos, David Gilmour, o…

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Oswald de Andrade: galimatias, nada mais

Publicado em 1933, Serafim Ponte Grande é a tentativa de levar ao paroxismo o que Oswald de Andrade fizera em Memórias Sentimentais de João Miramar, de 1924. A receita da prosa experimental está completa nas aventuras do funcionário público paulistano: narrativa fragmentada, mudança abrupta de narradores, mescla de gêneros literários, automatismo, neologismos, subversão da linguagem…

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“Ariana” — ou a liberdade para contar uma boa história

Num mercado editorial em que predominam narrativas fragmentadas, herméticas ou repletas de nonsense, encontrar uma boa história tornou-se exercício cansativo, desgastante. Não me refiro ao romancinho água-com-açúcar ou ao thriller feito de encomenda para se tornar best-seller, mas a histórias que não tratam o leitor como idiota ou querem transformá-lo, à força, num decifrador de…

Humberto de Campos ama a própria voz
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Humberto de Campos ama a própria voz, não a literatura

Humberto de Campos é desses raros polígrafos da literatura brasileira — semelhante a Coelho Neto no volume de escritos e no esquecimento a que foi condenado. Ambos, aliás, maranhenses. Contista, cronista, biógrafo, poeta, crítico e memorialista, sua obra não recebeu leitura e julgamento abrangentes, muito menos definitivos. O que também não acontece nesta análise, restrita…

G. K. Chesterton
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G. K. Chesterton e o romance

O renascimento brasileiro de G. K. Chesterton é um fenômeno que comemoro todos os dias. Novos livros chegam semestralmente ao mercado nos últimos três anos — e a Editora Ecclesiae acaba de publicar, em um único volume, a tradução de Mateus Leme para O defensor e Tipos variados. Além disso, Wisdom and Innocence — A…

Ribeiro Couto e seu romancinho bem-intencionado
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Ribeiro Couto e seu romancinho bem-intencionado

Escrever um romance não exige apenas ânimo. Essa prova de resistência não requer somente fôlego, mas disciplina e técnica. Refiro-me, é claro, a verdadeiros romances — e não a esses contos ampliados que algumas editoras publicam em papel de alta gramatura e com letras grandes, do contrário o texto caberia num folheto de cordel. Não…

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Mais uma bobagem naturalista

A escola de Aluísio Azevedo continuou tendo seguidores no Brasil mesmo depois da Semana de 22. É o caso de Peregrino Júnior e Puçanga, coletânea de narrativas inspiradas na Amazônia: além de mal escrito, o volume não passa de mais uma bobagem naturalista. Publicado em 1929, por um escritor que vivia no Rio de Janeiro,…

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Problemas da literatura atual

Penso nos problemas da literatura atual quando leio esses contos estendidos que hoje recebem o nome de “romance” — impressos com letra grande e num papel de alta gramatura, do contrário caberiam em 10 ou 15 páginas. Faz alguns meses, fui à livraria, peguei uma pilha de “romancistas” atuais, sentei numa poltrona e comecei a ler….

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O pessimismo, remédio ideal para o populismo

O ensaio de Paulo Prado é, como dizia Ortega y Gasset, “uma pupila vigilante aberta sobre a vida” No Jornal Rascunho deste mês, escrevo sobre Retrato do Brasil — ensaio sobre a tristeza brasileira, de Paulo Prado, livro que pertence à tradição montaigniana, isto é, anseia examinar as questões da realidade filtrando-as numa visão pessoal,…

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O prazer do fim esconde a alegria do reinício

Acabo de colocar o ponto final no livro que será publicado nos próximos meses, continuação de Muita Retórica – Pouca Literatura (de Alencar a Graça Aranha).Constam, do novo volume, livros das duas décadas iniciais do século XX, período que nossos estudiosos se acostumaram a tratar como Pré-Modernismo, conceito impregnado de confusão, que se liquefaz quanto…

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Equívocos e retórica – Jackson de Figueiredo e “Literatura reacionária”

No Rascunho deste mês, analiso a coletânea de artigos publicada por Jackson de Figueiredo (acima, na ilustração de Leandro Valentim) em 1924: Literatura reacionária. Descontados os equívocos estéticos e políticos, além do texto muitas vezes enfadonho, é possível encontrar, com uma pinça, trechos atuais e instigantes. Para quem se interessar, meu ensaio está aqui. A…