Tagged Flaubert

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O exercício de escrever: a lição de Shelby Foote

Sempre que penso a respeito do exercício de escrever — isto é, a escrita enquanto trabalho efetivo, e não simples inspiração —, lembro-me do historiador e romancista Shelby Foote, infelizmente pouco conhecido no Brasil. Um dos aspectos surpreendentes no seu trabalho é o fato de ele jamais ter usado um computador. Na verdade, escreveu os…

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O escritor e as palavras: uma relação complexa

Como eles se relacionam, o escritor e as palavras? Para responder, é preciso, primeiro, entender o funcionamento das palavras. Quando somos crianças e aprendemos a falar, é como se nossas palavras pertencessem a uma língua primitiva — uma língua em que cada vocábulo designa apenas um elemento da realidade. Para exemplificar essa ideia, sempre conto…

repugnancia ao profissionalismo
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Repugnância ao profissionalismo

No Brasil, quando se trata de escrever, de produzir literatura, a repugnância ao profissionalismo chega a ser arrebatadora. Para muitos, o escritor ainda é um romântico que se embebeda noite após noite, um irresponsável que não cumpre horários, veste-se com desleixo, despreza as instituições, considera-se superior a todos, vive de maneira miserável e, o principal,…

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O bom escritor: mestre dos detalhes

Para que servem os detalhes na literatura? Eles não são apenas o ponto de fuga de um cenário, para onde o olhar do personagem se desvia a fim de descobrir um centro de equilíbrio. Ou o elemento que o escritor utiliza para estabelecer um contraste com o restante do espaço e, assim, dar concretude às…

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Existe felicidade em escrever?

“Minhas dúvidas formam um círculo em torno de cada palavra.” — Franz Kafka O trabalho diário com as palavras não é fácil. Em abril de 1852, enquanto compõe Madame Bovary, Flaubert escreve a Louise Colet: “Estou mais cansado do que se empurrasse montanhas. Há momentos em que tenho vontade de chorar. É preciso uma vontade…

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Camões e Flaubert: amor mais longo que a vida

O tempo que o amor exige não conhece medida. O soneto de Camões evoca a inesgotabilidade do amor verdadeiro – e a consequente resignação ao objeto desejado, a paciência que supera limites. Não importa que Raquel almejamos. Muito menos, que forma assume Labão em nossa história. Relemos a correspondência de Flaubert e lá está Jacó,…